Este é um livro de sínteses; de uma primeira resultante da reunião de crónicas — a maioria delas escritas para o Público — e de posts do blogue do autor intitulado Escrito a Lápis — A porta estreita do Quotidiano — e também instantâneos com data. A indicação do subtítulo é precisa dado que ele somatiza uma preocupação constante do autor, que é a da memorização da comunidade; daí a precisão da data apesar do formato pequeno e do módulo instantâneo. Estes são textos de crítica ao contemporâneo, que se manifesta na banalidade do quotidiano: as intervenções dos políticos, os noticiários da TV, as guerras e o seu relato mediático, o absurdo da criação de associações para a defesa da sociedade da informação batizada com o nome de Kafka, os shoppings, a desconsideração pela literatura, etc. A este conjunto de críticas o autor não poupa esforços para as redigir de um modo criterioso, protegendo-se, e bem, por um grupo de autores que lhe servirão de esteira para outros textos e que funcionam como aparadores especiais para análise do recalcado que atravessa todos eles. Depois, ainda neste conjunto, há textos de exaltação, textos do mundo a que o autor pertence e são eles sobre o trabalho de reflexão de autores estimados como Bhabha, Musil, Gabriela Llansol, Auden, Goethe e, necessariamente, Walter Benjamin, que é, não o anjo de Klee, ou só o Angelus Novus, mas o anjo da guarda do autor. A partir desta série de textos resulta a crença de que «Se existe um sentido de realidade, tem de existir um sentido de possibilidade» que, como é sabido, é uma citação de O Homem sem Qualidades, de Robert Musil.
Para a edição portuguesa do livro «Garcia Lorca e Manuel da Fonseca — Dois Poetas em Confronto», de Manuel Simões
Em Peninsulares, 26 26UTC setembro 26UTC 2011 às 11:56
Os frequentadores destas sessões no Museu do Neo-Realismo saberão que Manuel Simões, tendo em conta as vezes que aqui esteve a fazer a apresentação de livros de outros autores, é licenciado em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e em Línguas e Literaturas Estrangeiras pela Universidade de Veneza, tendo ensinado Língua e Literatura Portuguesa na Universidade “Cà Foscari,” de Veneza. Viveu em Itália desde 1971 até à justa aposentação em 2001. Hoje ainda acontece ser o Manuel convidado a dirigir, em várias regiões de Itália, Seminários sobre a temática em que é um reconhecido especialista. Conhecê-lo-ão também das constantes colaborações na revista Nova Síntese, da Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo, tendo sido até o coordenador do n.º 5, o último, que tratou de «A Poesia do Neo-Realismo», mas talvez já não o conheçam tão bem na sua actividade de ensaista, de que a obra que hoje apresentamos, «García Lorca e Manuel da Fonseca – Dois Poetas em Confronto», é um dos exemplos mais notáveis do seu labor, como também nem todos terão um conhecimento aprofundado da sua criação poética.
Margarida Medeiros § «Fotografia e Narcisismo — o auto-retrato contemporâneo» (2000); «Fotografia e Verdade — uma história de fantasmas» (2010)
Em Arte e Produção, 30 30UTC março 30UTC 2011 às 15:59
Esta leitura de Fotografia e Verdade – uma história de fantasmas (2010), estrutura-se em torno de Eco, a figura ausente em Fotografia e Narcisismo – o auto-retrato contemporâneo (2000) que, juntamente com Narciso, completa o mito, apontando simultaneamente para a coerência da obra e para a originalidade do pensamento de Margarida Medeiros.