Neste pequeno texto, como em tantos outros, Llansol abre-nos a porta que dá para a sua oficina de escrita. Propõe-nos observar a imagem nua e a conversação infinita que, por um lado, a origina e, por outro, a continua. De sentidos atentos e corpo disponível, quem vê / lê põe o olhar em consonância com o mundo, ouvindo-lhe os sons e escutando estes a dialogar com as cores e os volumes — surgem ritmos que se entrelaçam originando uma percepção global das diferentes instâncias. O resultado não é um conjunto de sinais que produz um determinado significado, mas uma vibração que emana da sobreimpressão dos diferentes ritmos e intensidades, indo configurar-se a partir dessa experiência.
A geometria da imagem nua
In Arrábido on 13 13UTC Novembro 13UTC 2009 at 15:36A ataraxia activa do olhar
In Arrábido on 13 13UTC Novembro 13UTC 2009 at 15:27
Aqui, a escrita nasce de material gerado, não pela imaginação, não pela fantasia, não pela imitação, mas pela força actuante da presença da imagem. Os olhos comem o real, indiferenciadamente e sem fazer juízos de valor, como na ataraxia estóica, mas criando, em Llansol como nos filósofos antigos, as condições para fundar uma ética. O real é tudo o que se oferece ao olhar que tudo colhe como imagem e que tudo transmuta em escrita: objectos, imagens (sensíveis) de toda a ordem, Vivos e inertes, textos, o próprio passado, através de figuras soterradas que dele emergem e povoam os textos de Maria Gabriela Llansol.
Pouco sei, pouco decoro, no sentido de «memorizo», mas olho e aprendo sempre, sou um canibal de olhos. Nisso, sou estóica. E o desaparecimento do passado torna o passado mais presente…