A Phala

Da morte livre

In Diotima on 4 04UTC Novembro 04UTC 2009 at 12:47

judasComeço pelas palavras. Desenterro livros já lidos. Vou atrás de um daqueles temas que nos perseguem, até que um dia os exorcisamos pela escrita.

O latim é uma língua da abstracção, e por isso se revela mais prática para a exposição de um assunto ou mais eficaz para o pensamento organizado. O grego era mais uma língua do recorte vivo, pulsante, da imagem na própria composição da palavra, que Heidegger soube recuperar para o seu jargão filosófico em alemão. A minha reflexão de hoje parte de um dos termos alemães para suicídio — Freitod, morte livre —, que prefiro aos que decalcam o termo latino (Selbstmord = assassinato de si, ou Selbsttötung = morte de si, ou mesmo Suizid, tal e qual).

Peter Maynard – Beretta e consciência*

In A Phala on 3 03UTC Novembro 03UTC 2009 at 16:14

Maynard2Quem é Peter Maynard, essa personagem que, segundo Matt West, «desfaz mitos com o mesmo escrúpulo com que dispara»? Que personagem é esta, «figura indefinida e fugidia», segundo Dinis Machado, que sabe tudo acerca do leitor, que joga com ele, que o manipula, o agrilhoa num inaudito fascínio, que se dá à perversidade de ajeitar a gravata ao espelho, falar para a cara que vê ao espelho e não revelar essa cara ao leitor, que cata, em vão, qualquer indício da sua aparência física? Peter Maynard é voz, postura, atenção, método, intuição, acção, rigor, ética, sedução, humor, crítica, solidão, sonho e consciência.

A (i)mortalidade do amor (uma apresentação de «Assombra»)*

In Arte e Produção on 28 28UTC Setembro 28UTC 2009 at 12:09

(Boa noite a todos. O Tomás pediu-me que dissesse algumas palavras que pudessem ser uma «apresentação» deste livro e um testemunho de um leitor que acompanhou a génese deste livro. Pediu-me que não ultrapassasse muito os 20 minutos. Terei portanto de ser breve e talvez até um pouco elíptico – e, peço-vos indulgência, mas vou ter de ler para respeitar esse espaço de tempo. Ele preveniu-me também que tivesse em linha de conta que não seria uma apresentação para um público com preparação filosófica. Esta seria aliás a primeira coisa a dizer, para quem não sabe: este é um «livro tocado pela filosofia» ou, talvez se possa dizê-lo, um livro onde «somos tocados» por esse modo de dizer, tão profundamente antigo, longínquo. Por isso desculpem-me desde já se esta apresentação soar ainda demasiado enredada no léxico filosófico).