A Phala

Posts de 2009

A geometria da imagem nua

In Arrábido on 13 13UTC Novembro 13UTC 2009 at 15:36

07.Pag.7-2LRNeste pequeno texto, como em tantos outros, Llansol abre-nos a porta que dá para a sua oficina de escrita. Propõe-nos observar a imagem nua e a conversação infinita que, por um lado, a origina e, por outro, a continua. De sentidos atentos e corpo disponível, quem vê / lê põe o olhar em consonância com o mundo, ouvindo-lhe os sons e escutando estes a dialogar com as cores e os volumes — surgem ritmos que se entrelaçam originando uma percepção global das diferentes instâncias. O resultado não é um conjunto de sinais que produz um determinado significado, mas uma vibração que emana da sobreimpressão dos diferentes ritmos e intensidades, indo configurar-se a partir dessa experiência. Read the rest of this entry »

A ataraxia activa do olhar

In Arrábido on 13 13UTC Novembro 13UTC 2009 at 15:27

09.Pag.7-4Aqui, a escrita nasce de material gerado, não pela imaginação, não pela fantasia, não pela imitação, mas pela força actuante da presença da imagem. Os olhos comem o real, indiferenciadamente e sem fazer juízos de valor, como na ataraxia estóica, mas criando, em Llansol como nos filósofos antigos, as condições para fundar uma ética. O real é tudo o que se oferece ao olhar que tudo colhe como imagem e que tudo transmuta em escrita: objectos, imagens (sensíveis) de toda a ordem, Vivos e inertes, textos, o próprio passado, através de figuras soterradas que dele emergem e povoam os textos de Maria Gabriela Llansol. Read the rest of this entry »

Sou um canibal de olhos…

In Arrábido on 13 13UTC Novembro 13UTC 2009 at 15:11

08.Pag.7-3Pouco sei, pouco decoro, no sentido de «memorizo», mas olho e aprendo sempre, sou um canibal de olhos. Nisso, sou estóica. E o desaparecimento do passado torna o passado mais presente… Read the rest of this entry »

Da morte livre

In Diotima on 4 04UTC Novembro 04UTC 2009 at 12:47

judasComeço pelas palavras. Desenterro livros já lidos. Vou atrás de um daqueles temas que nos perseguem, até que um dia os exorcisamos pela escrita.

O latim é uma língua da abstracção, e por isso se revela mais prática para a exposição de um assunto ou mais eficaz para o pensamento organizado. O grego era mais uma língua do recorte vivo, pulsante, da imagem na própria composição da palavra, que Heidegger soube recuperar para o seu jargão filosófico em alemão. A minha reflexão de hoje parte de um dos termos alemães para suicídio — Freitod, morte livre —, que prefiro aos que decalcam o termo latino (Selbstmord = assassinato de si, ou Selbsttötung = morte de si, ou mesmo Suizid, tal e qual). Read the rest of this entry »

Peter Maynard – Beretta e consciência*

In A Phala on 3 03UTC Novembro 03UTC 2009 at 16:14

Maynard2Quem é Peter Maynard, essa personagem que, segundo Matt West, «desfaz mitos com o mesmo escrúpulo com que dispara»? Que personagem é esta, «figura indefinida e fugidia», segundo Dinis Machado, que sabe tudo acerca do leitor, que joga com ele, que o manipula, o agrilhoa num inaudito fascínio, que se dá à perversidade de ajeitar a gravata ao espelho, falar para a cara que vê ao espelho e não revelar essa cara ao leitor, que cata, em vão, qualquer indício da sua aparência física? Peter Maynard é voz, postura, atenção, método, intuição, acção, rigor, ética, sedução, humor, crítica, solidão, sonho e consciência. Read the rest of this entry »

A (i)mortalidade do amor (uma apresentação de «Assombra»)*

In Arte e Produção on 28 28UTC Setembro 28UTC 2009 at 12:09

(Boa noite a todos. O Tomás pediu-me que dissesse algumas palavras que pudessem ser uma «apresentação» deste livro e um testemunho de um leitor que acompanhou a génese deste livro. Pediu-me que não ultrapassasse muito os 20 minutos. Terei portanto de ser breve e talvez até um pouco elíptico – e, peço-vos indulgência, mas vou ter de ler para respeitar esse espaço de tempo. Ele preveniu-me também que tivesse em linha de conta que não seria uma apresentação para um público com preparação filosófica. Esta seria aliás a primeira coisa a dizer, para quem não sabe: este é um «livro tocado pela filosofia» ou, talvez se possa dizê-lo, um livro onde «somos tocados» por esse modo de dizer, tão profundamente antigo, longínquo. Por isso desculpem-me desde já se esta apresentação soar ainda demasiado enredada no léxico filosófico). Read the rest of this entry »

Relance sobre a Poesia de Edmundo de Bettencourt

In Documenta Poetica on 6 06UTC Agosto 06UTC 2009 at 15:24

Edmundo de BettencourtAlgumas pessoas atentas começam agora a descobrir o sentido de determinados acontecimentos ocorridos há cinquenta anos. Certa gíria chama a isto perspectiva histórica. É bem de ver que não se pode considerar numerosa a gente que, decorridos cinquenta anos, já possui uma perspectiva histórica. Um clima espiritualmente desfavorável, empenhamentos que afastam a objectividade, sem contar que meio século pouco significa para uma correcção pedagógica da estupidez – tudo isto, digo, não tem permitido tornar-se mais geral o entendimento da lição revolucionária que nos legou a geração de Fernando Pessoa. Read the rest of this entry »

Uma Carta para Palma Ferreira

In Mário Cesariny on 31 31UTC Julho 31UTC 2009 at 10:13

«Não tenho o gosto de o conhecer pessoalmente, nem sei, tampouco, se na realidade teria algum prazer nisso.

Desculpe-me V. Ex.ª esta rude franqueza, à laia de intróito, mas acontece que, de há muito, deixei de ter qualquer sentimento de admiração, ou sequer respeito, pelos bem encapuçados adôrnos (vivos) da literatura nacional, sejam eles muito ilustres ou não.

Não é este, claro, o caso de V. Ex.ª, nem tão ilustre nem tão decorativo que me iniba de lhe fazer uns pequenos, mas muito respeitosos, reparos às suas críticas a “Nobilíssima Visão”, de Mário Cesariny de Vasconcelos e a “Folhas de Poesia n.º 4″, in “Diário Popular“, de 6-8-59 e de 10-9-59, respectivamente. […]» Um folheto de Pedro Oom disponível aqui. Read the rest of this entry »

A Phala Encadernada — Volume 4

In Diversos on 24 24UTC Julho 24UTC 2009 at 18:03

Pouco depois do lançamento de A Phala online, temos agora o prazer de anunciar o lançamento do quarto e último número de A Phala Encadernada, numa tiragem de apenas 60 exemplares. Este volume reúne os números 61 a 100 e todos os respectivos suplementos. Com estas 600 páginas encerra-se assim a encadernação de todos os exemplares publicados de A Phala. Custa 140 € e pode ser adquirida na Livraria da Assírio & Alvim (Rua Passos Manuel, 67-B, 1150-258 Lisboa). Read the rest of this entry »

Autoridade e liberdade são uma e a mesma coisa

In Mário Cesariny on 23 23UTC Julho 23UTC 2009 at 09:57

«Como se obtém o fragmento de liberdade?

Pega-se num romancista. Mostra-se-lhe um livro de Maurice Nadeau, barra-se muito bem barrado com manteiga e vai ao forno a alourar. Tira-se e sai um frango com ferragens, cristaleiras, crítica, muita crítica e diversos.»

Um folheto de Mário Cesariny, disponível aqui. Read the rest of this entry »

Tempo Turvo: Regresso a Cristina Campo

In Teofanias on 13 13UTC Julho 13UTC 2009 at 11:06

1334082893Corria branda a noite. Imerso em funda mágoa, fui assentar-me triste e só… Não, não foi no meu jardim que eu me assentei em tal estado, que não sou judeu como a lírica heroína do esfrangalhado Tomás Ribeiro (hoje, mais célebre pela rua do que pela justiça de Castela de Don Martinho d’Aguilar, poema que deu origem a tantas variantes obscenas, irreprodutíveis em jornal que se preze) nem o frio que faz convida a passar noites em jardins. Onde eu me sentei assim foi num maple que em cada casa assinala o lugar do pater familias e que não falta na minha. Read the rest of this entry »

Requiem pelos corpos penados mais em destaque no cemitério ulissiponense

In Diversos on 13 13UTC Julho 13UTC 2009 at 10:17

O Macaco e o Tritão

In Teofanias on 9 09UTC Julho 09UTC 2009 at 13:08

6a00d8341c3e3953ef00e54f206c058833-500wiÉ bem provável que, nos anos da vossa infância, vos tenham contado muitas vezes a história do macaco do rabo cortado. Contaram-ma a mim, contei-a aos meus filhos e aos meus netos e o sucesso foi sempre garantido. Como não há nada que mude menos do que contos de encantar e esse conto está longe de ser exclusivo familiar, vou pressupor que o conhecem tão bem como eu (se não conhecerem digam-me, que eu conto outra vez). Read the rest of this entry »

O Artista Precisa de um Cachecol

In Diversos on 8 08UTC Julho 08UTC 2009 at 11:16

«Aproxima-se o General Inverno que até ajudou a vencer Napoleão, como se aprende na escola.

O ARTISTA PRECISA DE UM CACHECOL.

O cachecol do Artista, eufemismo simbólico que passamos a explicar, são vários, pode mesmo afirmar-se para cada Artista seu cachecol. Igual coisa acontece com o comum das pessoas porque, logrados pelo dito do dá Deus o frio conforme a roupa, já muita gentinha tem morrido de frio, pobrezinhos! Assim, o mais seguro ainda é usar um bom cachecol. Há vários… […]» Read the rest of this entry »

Os Poemas de Melville

In Documenta Poetica on 6 06UTC Julho 06UTC 2009 at 12:09
Penso na pequena praça de Tarifa onde o vento chega sempre antes de mim. Tem a minha medida: três muros de cal voltados ao mar. Aí queria encontrar-me com Melville, e com mais ninguém. Um dia direi porquê.
Eugénio de Andrade
A selecção de poemas de Herman Melville foi elaborada a partir de três livros seus: Battle-Pieces and Aspects of the War, de 1866, John Marr and Other Sailors, de 1888, e Timoleon, Etc., de 1891. Excluí desta selecção Clarel — A Poem and a Pilgrimage in the Holy Land, de 1876, devido à extensão dos poemas que compõem as diferentes secções. Idêntica opção foi seguida relativamente à escolha dos poemas dos livros aqui antologiados, cuja extensão, em particular a dos monólogos dramáticos, tornaria inviável uma perspectiva prismática da sua poesia. A opção pelos poemas mais curtos é, aliás, corroborada pelos estudiosos de Melville que neles reconhecem os instantes mais relevantes da sua obra. Entre estes poemas tentei seleccionar aqueles que melhor transmitem a sua sensibilidade estética e as suas recorrências tópicas. A edição escolhida em língua inglesa foi The Poems of Herman Melville (The Kent State University Press, 2000), organizada por Douglas Robillard.
Um derradeiro aspecto: tradução ou versão? O próprio Douglas Robillard admite quão difícil era, para o contemporâneo de Melville, ler os seus poemas. Os jogos prosódicos, as interferências do Middle-English (meetly em «A exumação do Hermes», por exemplo), ou do anglo-saxónico (em «O Prenúncio», por exemplo, weird, é adaptado do anglo-saxão wyrd, estranho), a sistemática convocação de vocábulos náuticos, de jargão científico (em «O icebergue», por exemplo, needle-ice é um fenómeno de congelamento), coexistindo e/ou dialogando com referências a divertimentos ou jogos (ainda em «O icebergue» a referência a jack-straw), as rimas, os jogos intertextuais, de difícil compreensão para quem não esteja familiarizido com o conjunto da sua obra narrativa e poética, os ecos biográficos, perceptíveis apenas ao conhecedor das suas circunstâncias biográficas, as enigmáticas elisões (veja-se o título de «Lamento de C______»), faziam dele, no século XIX, um poeta difícil. Não menos o será hoje. Talvez por tudo isto não sei se aquilo que apresento são traduções ou versões dos seus poemas; talvez sejam apenas versões, versões feitas por quem há trinta anos tem vindo a sentir um intenso fascínio pela obra deste escritor maior. Um fascínio e um apelo que Eugénio de Andrade tão bem sintetizou.
Algures na década de 1930, um ensaísta americano considerou que era tempo de descobrir a obra poética de Herman Melville. Este é o meu modesto contributo nesse sentido para os leitores de língua portuguesa.
melville«Penso na pequena praça de Tarifa onde o vento chega sempre antes de mim. Tem a minha medida: três muros de cal voltados ao mar. Aí queria encontrar-me com Melville, e com mais ninguém. Um dia direi porquê.»


 Eugénio de Andrade

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Mirabai

In Documenta Poetica on 6 06UTC Julho 06UTC 2009 at 11:43

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A VIDA

 

A vida de Mirabai tem sido reconstruída gradualmente. É consensual que tenha nascido em 1498 d.C., filha única de um nobre Rajput, numa aldeia nos subúrbios de Merta, na Índia. Read the rest of this entry »

O Rubā‘iyat de Umar-I Khayyām

In Documenta Poetica on 6 06UTC Julho 06UTC 2009 at 11:21

khayyam Pela pri­meira vez se apre­senta em Por­tu­gal uma an­to­lo­gia de «ruba’i»s (quar­te­tos) do po­eta as­tró­nomo e ma­te­má­tico persa Umar-i Khayyām (1048-1132, d.C.) tra­du­zi­dos a par­tir do texto ori­gi­nal impresso Ruba’yati Umari Kayyam, edições Adib [Tājikistān], 2000. Read the rest of this entry »