A Phala

Archive for julho \31\UTC 2009|Monthly archive page

Uma Carta para Palma Ferreira

In Mário Cesariny on 31 de julho de 2009 at 10:13

«Não tenho o gosto de o conhecer pessoalmente, nem sei, tampouco, se na realidade teria algum prazer nisso.

Desculpe-me V. Ex.ª esta rude franqueza, à laia de intróito, mas acontece que, de há muito, deixei de ter qualquer sentimento de admiração, ou sequer respeito, pelos bem encapuçados adôrnos (vivos) da literatura nacional, sejam eles muito ilustres ou não.

Não é este, claro, o caso de V. Ex.ª, nem tão ilustre nem tão decorativo que me iniba de lhe fazer uns pequenos, mas muito respeitosos, reparos às suas críticas a “Nobilíssima Visão”, de Mário Cesariny de Vasconcelos e a “Folhas de Poesia n.º 4”, in “Diário Popular“, de 6-8-59 e de 10-9-59, respectivamente. […]» Um folheto de Pedro Oom disponível aqui. Continue lendo »

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A Phala Encadernada — Volume 4

In Diversos on 24 de julho de 2009 at 18:03

Pouco depois do lançamento de A Phala online, temos agora o prazer de anunciar o lançamento do quarto e último número de A Phala Encadernada, numa tiragem de apenas 60 exemplares. Este volume reúne os números 61 a 100 e todos os respectivos suplementos. Com estas 600 páginas encerra-se assim a encadernação de todos os exemplares publicados de A Phala. Custa 140 € e pode ser adquirida na Livraria da Assírio & Alvim (Rua Passos Manuel, 67-B, 1150-258 Lisboa). Continue lendo »

Autoridade e liberdade são uma e a mesma coisa

In Mário Cesariny on 23 de julho de 2009 at 09:57

«Como se obtém o fragmento de liberdade?

Pega-se num romancista. Mostra-se-lhe um livro de Maurice Nadeau, barra-se muito bem barrado com manteiga e vai ao forno a alourar. Tira-se e sai um frango com ferragens, cristaleiras, crítica, muita crítica e diversos.»

Um folheto de Mário Cesariny, disponível aqui. Continue lendo »

Tempo Turvo: Regresso a Cristina Campo

In Teofanias on 13 de julho de 2009 at 11:06

1334082893Corria branda a noite. Imerso em funda mágoa, fui assentar-me triste e só… Não, não foi no meu jardim que eu me assentei em tal estado, que não sou judeu como a lírica heroína do esfrangalhado Tomás Ribeiro (hoje, mais célebre pela rua do que pela justiça de Castela de Don Martinho d’Aguilar, poema que deu origem a tantas variantes obscenas, irreprodutíveis em jornal que se preze) nem o frio que faz convida a passar noites em jardins. Onde eu me sentei assim foi num maple que em cada casa assinala o lugar do pater familias e que não falta na minha. Continue lendo »

Requiem pelos corpos penados mais em destaque no cemitério ulissiponense

In Diversos on 13 de julho de 2009 at 10:17

Requiem Ulissiponense-1 Continue lendo »

O Macaco e o Tritão

In Teofanias on 9 de julho de 2009 at 13:08

6a00d8341c3e3953ef00e54f206c058833-500wiÉ bem provável que, nos anos da vossa infância, vos tenham contado muitas vezes a história do macaco do rabo cortado. Contaram-ma a mim, contei-a aos meus filhos e aos meus netos e o sucesso foi sempre garantido. Como não há nada que mude menos do que contos de encantar e esse conto está longe de ser exclusivo familiar, vou pressupor que o conhecem tão bem como eu (se não conhecerem digam-me, que eu conto outra vez). Continue lendo »

O Artista Precisa de um Cachecol

In Diversos on 8 de julho de 2009 at 11:16

«Aproxima-se o General Inverno que até ajudou a vencer Napoleão, como se aprende na escola.

O ARTISTA PRECISA DE UM CACHECOL.

O cachecol do Artista, eufemismo simbólico que passamos a explicar, são vários, pode mesmo afirmar-se para cada Artista seu cachecol. Igual coisa acontece com o comum das pessoas porque, logrados pelo dito do dá Deus o frio conforme a roupa, já muita gentinha tem morrido de frio, pobrezinhos! Assim, o mais seguro ainda é usar um bom cachecol. Há vários… […]» Continue lendo »

Os Poemas de Melville

In Documenta Poetica on 6 de julho de 2009 at 12:09
Penso na pequena praça de Tarifa onde o vento chega sempre antes de mim. Tem a minha medida: três muros de cal voltados ao mar. Aí queria encontrar-me com Melville, e com mais ninguém. Um dia direi porquê.
Eugénio de Andrade
A selecção de poemas de Herman Melville foi elaborada a partir de três livros seus: Battle-Pieces and Aspects of the War, de 1866, John Marr and Other Sailors, de 1888, e Timoleon, Etc., de 1891. Excluí desta selecção Clarel — A Poem and a Pilgrimage in the Holy Land, de 1876, devido à extensão dos poemas que compõem as diferentes secções. Idêntica opção foi seguida relativamente à escolha dos poemas dos livros aqui antologiados, cuja extensão, em particular a dos monólogos dramáticos, tornaria inviável uma perspectiva prismática da sua poesia. A opção pelos poemas mais curtos é, aliás, corroborada pelos estudiosos de Melville que neles reconhecem os instantes mais relevantes da sua obra. Entre estes poemas tentei seleccionar aqueles que melhor transmitem a sua sensibilidade estética e as suas recorrências tópicas. A edição escolhida em língua inglesa foi The Poems of Herman Melville (The Kent State University Press, 2000), organizada por Douglas Robillard.
Um derradeiro aspecto: tradução ou versão? O próprio Douglas Robillard admite quão difícil era, para o contemporâneo de Melville, ler os seus poemas. Os jogos prosódicos, as interferências do Middle-English (meetly em «A exumação do Hermes», por exemplo), ou do anglo-saxónico (em «O Prenúncio», por exemplo, weird, é adaptado do anglo-saxão wyrd, estranho), a sistemática convocação de vocábulos náuticos, de jargão científico (em «O icebergue», por exemplo, needle-ice é um fenómeno de congelamento), coexistindo e/ou dialogando com referências a divertimentos ou jogos (ainda em «O icebergue» a referência a jack-straw), as rimas, os jogos intertextuais, de difícil compreensão para quem não esteja familiarizido com o conjunto da sua obra narrativa e poética, os ecos biográficos, perceptíveis apenas ao conhecedor das suas circunstâncias biográficas, as enigmáticas elisões (veja-se o título de «Lamento de C______»), faziam dele, no século XIX, um poeta difícil. Não menos o será hoje. Talvez por tudo isto não sei se aquilo que apresento são traduções ou versões dos seus poemas; talvez sejam apenas versões, versões feitas por quem há trinta anos tem vindo a sentir um intenso fascínio pela obra deste escritor maior. Um fascínio e um apelo que Eugénio de Andrade tão bem sintetizou.
Algures na década de 1930, um ensaísta americano considerou que era tempo de descobrir a obra poética de Herman Melville. Este é o meu modesto contributo nesse sentido para os leitores de língua portuguesa.
melville«Penso na pequena praça de Tarifa onde o vento chega sempre antes de mim. Tem a minha medida: três muros de cal voltados ao mar. Aí queria encontrar-me com Melville, e com mais ninguém. Um dia direi porquê.»


 Eugénio de Andrade

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Mirabai

In Documenta Poetica on 6 de julho de 2009 at 11:43

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A VIDA

 

A vida de Mirabai tem sido reconstruída gradualmente. É consensual que tenha nascido em 1498 d.C., filha única de um nobre Rajput, numa aldeia nos subúrbios de Merta, na Índia. Continue lendo »

O Rubā‘iyat de Umar-I Khayyām

In Documenta Poetica on 6 de julho de 2009 at 11:21

khayyam Pela pri­meira vez se apre­senta em Por­tu­gal uma an­to­lo­gia de «ruba’i»s (quar­te­tos) do po­eta as­tró­nomo e ma­te­má­tico persa Umar-i Khayyām (1048-1132, d.C.) tra­du­zi­dos a par­tir do texto ori­gi­nal impresso Ruba’yati Umari Kayyam, edições Adib [Tājikistān], 2000. Continue lendo »