A Phala

Mirabai

In Documenta Poetica on 6 de julho de 2009 at 11:43

Mirabai(270x320)

A VIDA

 

A vida de Mirabai tem sido reconstruída gradualmente. É consensual que tenha nascido em 1498 d.C., filha única de um nobre Rajput, numa aldeia nos subúrbios de Merta, na Índia. O reino rajput tinha recuperado a independência, face ao poder central muçulmano de Dheli, mas eram comuns as lutas entre rajás rivais. Era ainda muito jovem, quando a mãe morreu. Como o pai estava sempre ocupado em tarefas militares, foi entregue aos cuidados do avô, tendo sido educada como uma princesa. Tudo leva a crer que a sua adoração por Krishna se iniciou muito cedo.

Em 1516, casou-se com Bohja Raj, num quadro de alianças regionais. Em breve ficou viúva. Não se contentando em receber sadhus no palácio, começou a procurá-los no templo e a dançar em frente da imagem de Krishna. Devido a esse comportamento, escandaloso na época para uma mulher da sua condição, começou a ser alvo de perseguições e de tentativas de envenenamento por parte da família.

O resto da sua biografia carece de evidência documental. Parece que depois de ter visitado vários lugares de peregrinação, acabou por se fixar no templo de Rachanor, em Dvarak. A sua morte terá ocorrido em 1546. Segundo a lenda terá sido absorvida pela imagem de Krishna. Essa absorção, comum a outros santos da Índia, era a concretização simbólica da moksha ou libertação da alma do ciclo de nascimentos sucessivos pela união com o Absoluto.

 

 

O MOVIMENTO BAKTI

 

Bakti significa união com Deus. A ideia básica é que Deus permite aos seus devotos compartilhar a sua natureza e a sua consciência, caso o amor por Ele seja sincero. Mergulhando as suas raízes na tradição dos Upanishad, o bakti aparece pela primeira vez no Bhagavad Gita. Desenvolve-se a partir do século XII, sob o impulso de religiosos do sul da Índia e atinge o apogeu nos séculos XVI e XVII. Krishna é para Mirabai o amante perfeito. Mas essa união de amor é antes de tudo renúncia ao mundo e renúncia de si mesma, só assim sendo possível a união mística com Deus.

 

 

OS POEMAS

 

Padavali significa uma série de padas. Pada na sua forma madura é uma canção espiritual breve, rimada e composta em ritmos simples, de forma a poder ser cantada, segundo determinada melodia (raga). O nome do autor é incorporado na última linha, como uma espécie de assinatura.

 

«Ajoelho-me perante ti

Bihari    A tua coroa é

de penas de pavão e o tilak

brilha na tua fronte

Ondulam os pendentes de oiro

nas tuas orelhas e os negros

anéis dos teus cabelos

Quando tocas flauta

deixas desassossegado

o coração das mulheres

de Braj   Ao contemplar-te

Mira desfalece»

 

Os pada de Mirabai são uma criação puramente oral e espontânea. Como não tinha discípulos para recolhê-los, os seus pada sobreviveram na boca dos cantores itinerantes que os aprenderam, cantaram e eventualmente alteraram. A edição mais conhecida dos pada de Mirabai (a edição de Acharia Chaturvedi) contém 202 can­ções e foi submetida a incorporações e rejeições ao longo do tempo, à luz de novas descobertas.

Nas versões apresentadas nesta edição foram usadas as traduções para inglês de A.J. Alston (The devotional poems of Mirabai). De forma a não inundar o texto de referências, apenas se apresentam neste livro aquelas mais importantes.

Jorge Sousa Braga

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: