A Phala

Archive for the ‘A Phala’ Category

Para o alívio completo dos sintomas

In A Phala on 30 de maio de 2017 at 11:56

CP_CURA

O livro é dos objectos mais curiosos do mundo. É feito de papel, tinta, cola, portas e janelas. O papel, tinta e cola são semelhantes em todos os livros, mas as portas e janelas são muito diferentes. O seu número e forma dependem da qualidade do livro. Um bom livro tem mais portas e janelas do que um livro menos bom. Continue lendo »

«Chegam sempre as cartas a quem […]»*

In A Phala, Uncategorized on 17 de maio de 2016 at 15:49

CP_CRFPMSC_lrVárias são as formas de coleccionar livros. Comprá-los é a mais corrente e certamente a mais agradável a editores, livreiros, autores. Está, contudo, longe de ser a única. Outra consiste em roubá-los ou – o que talvez não passe de uma modalidade civilizada e polida de furto – em tomá-los de empréstimo sem a correspondente devolução. Outra ainda consiste em escrevê-los. Continue lendo »

«Portoleipzig», 2014: um Livro de Música?

In A Phala on 9 de março de 2015 at 11:48

K_BACH_lrE todo aquele silêncio se reunia em música

 Mário de Sá-Carneiro, «O homem dos sonhos»

O leitor que se aproxime de Bach por ser uma obra da autoria de Pedro Eiras tem boas probabilidades de não ser um leitor inocente ou desavisado, o que poderá ser de imediato uma vantagem (pelo menos aparente). Isto porque o leitor que conheça o autor Pedro Eiras saberá que Pedro Eiras tem o estranho hábito de ouvir Bach todos os dias, e saberá talvez melhor ainda que Pedro Eiras escreveu já alguns ensaios em que o nome de Bach figura no título, Continue lendo »

Crónica de um bom rapaz

In A Phala on 21 de dezembro de 2009 at 11:39

Escrevi um texto a que poderia chamar «Crónica de um bom rapaz». Ou «Dinis, um rapaz de Lisboa». Escrevi um texto para dizer com mais precisão as coisas que eu quero dizer do Dinis e do livro «Blackpot».

Esta tarde estive a matar saudades do Dinis relendo a entrevista que ele me concedeu há cerca de dez anos, quando nos conhecemos. Ele dizia: «Queria ser jogador de futebol, actor de cinema, um pouco filósofo, e queria ser um novelista, um poeta. A certa altura tive de fechar portas. Ficou a porta do escritor possível. Escritor possível, porque sempre tive um grande respeito pela escrita e pelos grandes escritores». Este escritor possível, tenho a impressão, sabe intimamente que é um grande escritor. Estas coisas costumam saber-se. Mesmo que paire sempre a dúvida, e sobretudo quando Borges e Camus o fazem encolher-se no seu canto. Continue lendo »

Peter Maynard – Beretta e consciência*

In A Phala on 3 de novembro de 2009 at 16:14

Maynard2Quem é Peter Maynard, essa personagem que, segundo Matt West, «desfaz mitos com o mesmo escrúpulo com que dispara»? Que personagem é esta, «figura indefinida e fugidia», segundo Dinis Machado, que sabe tudo acerca do leitor, que joga com ele, que o manipula, o agrilhoa num inaudito fascínio, que se dá à perversidade de ajeitar a gravata ao espelho, falar para a cara que vê ao espelho e não revelar essa cara ao leitor, que cata, em vão, qualquer indício da sua aparência física? Peter Maynard é voz, postura, atenção, método, intuição, acção, rigor, ética, sedução, humor, crítica, solidão, sonho e consciência. Continue lendo »