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Archive for the ‘Documenta Poetica’ Category

A edição de «O Caminho dos Pisões», de M.S. Lourenço

In Documenta Poetica on 16 de dezembro de 2010 at 18:26

Em Setembro de 2009 foi publicado O Caminho dos Pisões, a última obra literária de M. S. Lourenço, falecido no primeiro dia do mês anterior. O presente artigo visa descrever sem pretensões de exaustividade o modo como este livro foi concebido e executado, objectivo cuja pertinência é reforçada pela ausência de nota editorial na própria publicação [1]. Leia o resto deste post »

A Noite Abre Meus Olhos — Em torno da poesia reunida de Tolentino Mendonça

In Documenta Poetica on 26 de outubro de 2010 at 13:26

«Ce sont les dieux qui nous font parler. Le langage est divin en ce qu’il vient du dehors et retourne vers lui, vers ce dehors qu’il ouvre lui-même en nous, nous ouvrant la bouche, et dans le monde au milieu duquel il ouvre ce signe étrange, “l’homme”»

Jean-Luc Nancy

 

«a obscuridade brilha para lá / da própria enseada»

Tolentino Mendonça


« L’oscurità, la notte, fa sì che i non visibili siano tali… La notte avvolge i non visibili, i non apparentia.»

Emanuele Severino Leia o resto deste post »

O Sangue por um Fio

In Documenta Poetica on 17 de dezembro de 2009 at 15:40

É-me mais fácil dizer por escrito como me aproximei do continente que é «O Sangue por um Fio». Por escrito sou mais exacta, mais precisa no que quero dizer. E neste pequeno grande livro, muitas coisas são ditas com uma exactidão e precisão de lâmina. Não posso, por isso, falar aos tropeções de uma matéria tão sensível. Uma advertência: não farei o que seria natural a uma admiradora antiga do Sérgio Godinho, que sou. Não farei uma incursão no universo das canções, não farei aproximações, não direi: isto também está nas letras de canções nas quais nos revemos, se revê o país, se reconhece um tempo. As letras que irão constar como «sentimento de uma nação» quando se falar do que é e sente um tempo e um povo. Leia o resto deste post »

Relance sobre a Poesia de Edmundo de Bettencourt

In Documenta Poetica on 6 de agosto de 2009 at 15:24

Edmundo de BettencourtAlgumas pessoas atentas começam agora a descobrir o sentido de determinados acontecimentos ocorridos há cinquenta anos. Certa gíria chama a isto perspectiva histórica. É bem de ver que não se pode considerar numerosa a gente que, decorridos cinquenta anos, já possui uma perspectiva histórica. Um clima espiritualmente desfavorável, empenhamentos que afastam a objectividade, sem contar que meio século pouco significa para uma correcção pedagógica da estupidez – tudo isto, digo, não tem permitido tornar-se mais geral o entendimento da lição revolucionária que nos legou a geração de Fernando Pessoa. Leia o resto deste post »

Os Poemas de Melville

In Documenta Poetica on 6 de julho de 2009 at 12:09
Penso na pequena praça de Tarifa onde o vento chega sempre antes de mim. Tem a minha medida: três muros de cal voltados ao mar. Aí queria encontrar-me com Melville, e com mais ninguém. Um dia direi porquê.
Eugénio de Andrade
A selecção de poemas de Herman Melville foi elaborada a partir de três livros seus: Battle-Pieces and Aspects of the War, de 1866, John Marr and Other Sailors, de 1888, e Timoleon, Etc., de 1891. Excluí desta selecção Clarel — A Poem and a Pilgrimage in the Holy Land, de 1876, devido à extensão dos poemas que compõem as diferentes secções. Idêntica opção foi seguida relativamente à escolha dos poemas dos livros aqui antologiados, cuja extensão, em particular a dos monólogos dramáticos, tornaria inviável uma perspectiva prismática da sua poesia. A opção pelos poemas mais curtos é, aliás, corroborada pelos estudiosos de Melville que neles reconhecem os instantes mais relevantes da sua obra. Entre estes poemas tentei seleccionar aqueles que melhor transmitem a sua sensibilidade estética e as suas recorrências tópicas. A edição escolhida em língua inglesa foi The Poems of Herman Melville (The Kent State University Press, 2000), organizada por Douglas Robillard.
Um derradeiro aspecto: tradução ou versão? O próprio Douglas Robillard admite quão difícil era, para o contemporâneo de Melville, ler os seus poemas. Os jogos prosódicos, as interferências do Middle-English (meetly em «A exumação do Hermes», por exemplo), ou do anglo-saxónico (em «O Prenúncio», por exemplo, weird, é adaptado do anglo-saxão wyrd, estranho), a sistemática convocação de vocábulos náuticos, de jargão científico (em «O icebergue», por exemplo, needle-ice é um fenómeno de congelamento), coexistindo e/ou dialogando com referências a divertimentos ou jogos (ainda em «O icebergue» a referência a jack-straw), as rimas, os jogos intertextuais, de difícil compreensão para quem não esteja familiarizido com o conjunto da sua obra narrativa e poética, os ecos biográficos, perceptíveis apenas ao conhecedor das suas circunstâncias biográficas, as enigmáticas elisões (veja-se o título de «Lamento de C______»), faziam dele, no século XIX, um poeta difícil. Não menos o será hoje. Talvez por tudo isto não sei se aquilo que apresento são traduções ou versões dos seus poemas; talvez sejam apenas versões, versões feitas por quem há trinta anos tem vindo a sentir um intenso fascínio pela obra deste escritor maior. Um fascínio e um apelo que Eugénio de Andrade tão bem sintetizou.
Algures na década de 1930, um ensaísta americano considerou que era tempo de descobrir a obra poética de Herman Melville. Este é o meu modesto contributo nesse sentido para os leitores de língua portuguesa.
melville«Penso na pequena praça de Tarifa onde o vento chega sempre antes de mim. Tem a minha medida: três muros de cal voltados ao mar. Aí queria encontrar-me com Melville, e com mais ninguém. Um dia direi porquê.»


 Eugénio de Andrade

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Mirabai

In Documenta Poetica on 6 de julho de 2009 at 11:43

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A VIDA

 

A vida de Mirabai tem sido reconstruída gradualmente. É consensual que tenha nascido em 1498 d.C., filha única de um nobre Rajput, numa aldeia nos subúrbios de Merta, na Índia. Leia o resto deste post »

O Rubā‘iyat de Umar-I Khayyām

In Documenta Poetica on 6 de julho de 2009 at 11:21

khayyam Pela pri­meira vez se apre­senta em Por­tu­gal uma an­to­lo­gia de «ruba’i»s (quar­te­tos) do po­eta as­tró­nomo e ma­te­má­tico persa Umar-i Khayyām (1048-1132, d.C.) tra­du­zi­dos a par­tir do texto ori­gi­nal impresso Ruba’yati Umari Kayyam, edições Adib [Tājikistān], 2000. Leia o resto deste post »